sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Balada Marítima II

Balada Marítima II

Morre, como morre a maré,
Serena, incauta
Como o suspiro de todos os
Deuses.
E atravessa doce
o silêncio de todas as praias.
Silente como o canto das sereias
Por cima de todas as pedras
................de todos os montes
................de todos os muros.
E grava com sua voz encouraçada
...O teu rugido mais que distante,
...O teu choro mais que suave,
...A tua vida inteira de tormentas
que se fez escrita
por cima da estrada e do rio
e desaguou como foz
no maior de todos os oceanos,
e se afoga, em um redemoinho,
indo ao fundo de seu aspecto
em um abismo estonteante
que fez, por si, despertar
certo de sua maior grandeza.
......O mar, que nunca termina.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Solilóquio à beira-mar (Rascunho)

Solilóquio

Essa saudade se instaurou
em meu peito como uma mancha,
Como uma tormenta se instaura
no meio do oceano, e me carregou
como uma nódoa negra
para as terras mais além,
e cravou em meu semblante
tal sombra, e encostou a sua
face à minha como brisa que
se desfaz.
Essa saudade se fez mais forte
que os dias que nada trazem,
nas horas que sempre carregam
meus olhos 'inda mais distantes,
e me arrastou como fagulha noite adentro
para depois se apagar;
Pois essa saudade é vontade,
e vontade nada mais é impulso,
E mesmo assim há um império que pesa
por sobre os joelhos e povoa ecos e vozes
sempre nostálgicos, que desperto e emigram,
fugindo como pássaros que dispersam,
desaparecendo pela linha do horizonte enevoado,
fazendo tudo se deflagrar enquanto vão.

sábado, 30 de outubro de 2010

Canção ao Einhleuchtend

II

E o que dizer desta luz tão fraca
que ascende antes de se pôr
para o firmamento de todas as coisas?
O lampejo, a subta fagulha inerente
a todos os homens! Que no entanto, não dão conta...
O abismo não é para qualquer um.
Podes tu ver a imensidão do cume
e sentir a pequenez que te abranges tornar-te
suficientemente miserável para nunca encará-lo frente-a-frente;
Mas do alto, como tu bem esperas, pode-se constatar
a grande imensidão escura que te proclamas.
Ama, meu caro, a queda.
Ama, pois nisso, ama-te a ti mesmo!
(porquanto perdurar tua estadia entre o vale);
Imerso entre as trevas, até o fundo de tua alma,
de teu apelo... Pois é somente do topo que consegue-se
encarar abruptamente o âmago do abismo,
constatá-lo como um igual, e compreender seu
Real perigo e sentido.
Quero, ignóbil amante, que entendas
acima de todas as coisas,
somente aqueles que têm asas têm o direito de cair.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mítica

Mítica
....................................A Igor Roosevelt

"Apaguem as luzes, eu Quero sofrer!"
Gritou o homem embravecido;
Mas as luzes não se apagaram...
Não se apagam, elas, quando bem entendemos,
Apagam-se quando intendem a si
e às próprias intenções (de Fim),
Desfazendo-se em trevas, e som;
Sem luz, transmuta-se, reflexo estrelado
d'uma Rodovia que leva, tortuosa,
à algum lugar... Que não se quer saber.
E grita, com sua voz, tão sua,
impropérios de ninguém;
Brado de um homem louco
que desafia seu humano instinto ao Nada.
Enquanto sofre, desesperado,
empiedando-se e, contorcendo
sua exclamação enraivecida; revira-se
a Luz que atinge os seus olhos.
"Apaguem a luz...!"
E no entanto, não se ajoelha
em sua revolta mais que singela,
abre com as mãos o dilema,
em sua fenda árida e pueril.
Entorta o rosto e o gesto,
inclinando-se para frente,
para baixo, em direção ao vaporoso claustro
que o encerra, e não o deixa encerrar;
(A sua Dor, o seu Lamento, a sua Condição-Humana)
E negando Sua Fé, por entre os dedos,
ajoelha-se na sua contradição.
Já finado, retorna à Terra,
Derrotado e derrotador de seu absurdo
que vai além do indenominável,
Torna o rosto em sua expressão fatídica:
"Por favor...!"
E escorre, como se do peito aberto,
aquela ausência que o faz girar
para que não seja visto,
Para que Reveja, refletido, a Luz que não se apaga,
E constate, em espanto, sua fonte.
A luz está contida em seus olhos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Canção ao Einhleuchtend

I

Estive doente todos estes anos.
Estive doente, e também você;
Estão doentes, os homens, todos os dias
e não percebem, enquanto o veneno se
alastra por todos os membros.
À noite tremem reumáticos os ossos,
doravantes aos respingos frios da chuva,
Sem saber para onde vão
no momento em que encontram-se escondidos;
Os homens doentes se encolhem de medo.
Não percebem que a questão fundamental
é o valer; e não o valor.
(que incumbido é à Vida
quando ainda podemos pensar nela)
O Resto, não passa de joguete,
Criação, brincadeira infanto-juvenil
de Seres que esqueceram-se.
E fazem dos outros receptáculos
de seus sentimentos frios, e de
seus instintos mais sórdidos.
Esqueceram-se, e esqueceram de esquecer,
Enquanto, recordam os seus amanhãs
tingidos de sangue, cinza e gris.
Apagados, os homens-oblíquos vagam pelo Tempo.

domingo, 19 de setembro de 2010

Prelúdio às Canções ao Einhleuchtend

Me desagrada o ceu dos superficiais!
Me desagrada, terno amigo,
este azul esvaziado e sem sentido,
em que os comuns deixam desejos,
e desgastam com preces
seus suspíros em forma de nuvem.
Desagrada, meu caro, essa tua forma de Avenida,
que atravessa sem passar por dentre
as casas, deixando de lado as correrias,
os risos, os lábios que se tocam
ao chão... E os ignora!
Como se em ti não houvesse a curiosidade,
latente sentimento, que toma à forma
de fagulha, o coração dos pobres homens
que enlouquecem, disfarçados,
o seu desejo de conhecer;
Esquecendo, é claro,
que é império da criação,
cuja a forma de argamassa a acinzenta
e dissimula, sem que tu,
ignóbil desamante, perceba!
E daonde vem estes teus olhos,
castanha escuridão que braveja
e rompe a obtusão do Azul?
E a interrompe com tempestades
para depois as deixarem-se despir!
....Em seu nulo, em seu nada,
....em seu convite ao ínfimo...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

About The rain

Favor clicar na imagem para ler o poema ampliado:


..............................................."Límpida alegria de SER, quando chove e deixa-se molhar".