terça-feira, 1 de setembro de 2009

Perpétuo

I

O poder não é Perpétuo,
Perpétuo é o medo da Morte
E a crueldade imutável do Desejo
Diante as profanas formas de Delírio
Entre os olhos diáfanos dos mortais.
A Vida está escrita no livro do Destino
Que percorre os labirintos da existência
Entre a alma dos homens e das eras
Com seus versos tortos e cegos,
Sonhando estilhaços desesperados
De espelhos sem reflexo ou pupila
Isento da consciência da Destruição
Que desvirtua e glorifica os homens;
Perpétuo é o Não-Saber.

II

“O Sonho é o mais próximo da Morte”

A Fome dilacera a vontade
E despedaça as convicções
Criadas em matérias intangíveis
'Inda que Reais...

A fraqueza dos homens dissolve
A dor que caminha no deleite
E leva à pequena morte – Vida -

Tomar uma parte pelo Todo
E Perpetuar o grande enigma
Dissolvendo castelos e guardiões;
Perpétuo são os enigmas da vida.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

sábado, 1 de agosto de 2009

ABRIMAR

ABRIMAR Noturno

Abri os mares como num açoite
O Vento erguia-se etéreo
E não importava-me se era dia ou noite,
Duas ondas me dividiram;

Fabricava castelos imaginários
De uma areia onírica, fina,
Que pingavam nos olhos sedentários
Daquela matéria cristalina...

Vida vista pelas lentes outonais,
Não minha, as tais, de ninguém...
Cobriam portas, liceus abandonados
Feitos de musgo e mais alguém.

Duas ondas rebentaram fera
Sem dar luzes à primavera
Que morta fez questão de levantar,
Um ponto, uma questão...

E embebedaram-se do que não tinha
No meio daquela ventania fria
Que eu fazia questão de esquecer,
Credros vermelhos escorrem pela torneira.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Estética dos Desajustados

Os Corpos

Somos o lodo sujo das calçadas
Lábios vermelhos de mercúrio,
A essência fálica e o barulho
Aves negras da madrugada.

Somos ébrios loucos tresloucados
Ascendência suma, escorpião,
Vento lâmina sem direção,
Lobos cinzentos e esfomeados.

Somos luzes roxas e bares vazios,
Whisky barato e melodia
Cujo a voz rouca some e adia
Um pôr-do-sol sempre tardio.

Somos fogo-fátuo prematuro
Feitos de enferrujadas grandes cegas
Sem esperanças, calor, ou adegas...
Prodigios desferrolhados e imaturos.

Nós somos os corpos desajustados
Filhos da sujeira banida na estética...
Andarilhos d'uma sociedade esqueletica,
O princípio de uma nova manhã.

13-07-2009
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Eu andei ha um bom tempo pensando em fazer esta nova série, "A Estética dos Desajustados", enquanto eu lia o livro do socioólogo Zygmunt Bauman, denominado "O Mal-Estar na Pós-Modernidade", sendo que a primeira parte fala deveras disso, da "sujeira" da sociedade, sendo esta "sujeira" composta por membros desajustados nos padrões de estética social. Então, sem mais delongas, está ai o primeiro texto da série "A Estética dos Desajustados". Espero que ela se finde bem.

À todos, Saudações.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Travessia - Além mar -

Travessia

"Eu sou um grande mistério para mim".

Tardio silêncio desmembrante,
Travessia tormentada à causto,
Solene véu enevoado e coberto
de sentidos sem significados.
Dama Obtsua desconhecida
Madrinha e mãe de heróis,
Guerras, bravuras, e sangue
Corredora do plasma de cada um;
Assumir fardos e grandezas
Atravessando linhas e limites
Provocando a morada construtora
Que uma madrugada torna manhã.

24-06-2009
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Poema feito durante minha última aula do curso sobre "A travessia épico-existencial em Mensagens, Fernando Pessoa" Dado pelo meu caríssimo professor Antônio Máximo. Este não é um peoma para ser entendido...

sábado, 20 de junho de 2009

Psicografia - Criação Suspensa de si -











Psicografia

A hora das cinzas morreu.
O vulto da manhã desperta,
Sereno não me apavora:
Cantos são roncos suavíssimos;

Meu fogo manso deu-se acalantado
Como num soneto, fálico,
Dando luz aos olhos que
Fingem cantar ternura;
Amanhã eu transito no tempo
Intransponível.

Mas não cante o silêncio vão
Dos beijos jogados aos quilômetros
Que percorro com pés ausentes
De caminhos sangüíneos
- Vitória indestinada aos gregos.

Eu sou o Deus da distância
E o mártire do langor inacabado,
Bêbado em forma e sutileza
fêmea, cárcere em vigor.

Cante! Pois canto no agora
A presença mortal de minha aurora.