terça-feira, 14 de julho de 2009

A Estética dos Desajustados

Os Corpos

Somos o lodo sujo das calçadas
Lábios vermelhos de mercúrio,
A essência fálica e o barulho
Aves negras da madrugada.

Somos ébrios loucos tresloucados
Ascendência suma, escorpião,
Vento lâmina sem direção,
Lobos cinzentos e esfomeados.

Somos luzes roxas e bares vazios,
Whisky barato e melodia
Cujo a voz rouca some e adia
Um pôr-do-sol sempre tardio.

Somos fogo-fátuo prematuro
Feitos de enferrujadas grandes cegas
Sem esperanças, calor, ou adegas...
Prodigios desferrolhados e imaturos.

Nós somos os corpos desajustados
Filhos da sujeira banida na estética...
Andarilhos d'uma sociedade esqueletica,
O princípio de uma nova manhã.

13-07-2009
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Eu andei ha um bom tempo pensando em fazer esta nova série, "A Estética dos Desajustados", enquanto eu lia o livro do socioólogo Zygmunt Bauman, denominado "O Mal-Estar na Pós-Modernidade", sendo que a primeira parte fala deveras disso, da "sujeira" da sociedade, sendo esta "sujeira" composta por membros desajustados nos padrões de estética social. Então, sem mais delongas, está ai o primeiro texto da série "A Estética dos Desajustados". Espero que ela se finde bem.

À todos, Saudações.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Travessia - Além mar -

Travessia

"Eu sou um grande mistério para mim".

Tardio silêncio desmembrante,
Travessia tormentada à causto,
Solene véu enevoado e coberto
de sentidos sem significados.
Dama Obtsua desconhecida
Madrinha e mãe de heróis,
Guerras, bravuras, e sangue
Corredora do plasma de cada um;
Assumir fardos e grandezas
Atravessando linhas e limites
Provocando a morada construtora
Que uma madrugada torna manhã.

24-06-2009
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Poema feito durante minha última aula do curso sobre "A travessia épico-existencial em Mensagens, Fernando Pessoa" Dado pelo meu caríssimo professor Antônio Máximo. Este não é um peoma para ser entendido...

sábado, 20 de junho de 2009

Psicografia - Criação Suspensa de si -











Psicografia

A hora das cinzas morreu.
O vulto da manhã desperta,
Sereno não me apavora:
Cantos são roncos suavíssimos;

Meu fogo manso deu-se acalantado
Como num soneto, fálico,
Dando luz aos olhos que
Fingem cantar ternura;
Amanhã eu transito no tempo
Intransponível.

Mas não cante o silêncio vão
Dos beijos jogados aos quilômetros
Que percorro com pés ausentes
De caminhos sangüíneos
- Vitória indestinada aos gregos.

Eu sou o Deus da distância
E o mártire do langor inacabado,
Bêbado em forma e sutileza
fêmea, cárcere em vigor.

Cante! Pois canto no agora
A presença mortal de minha aurora.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Carpe Noctem

Mas, tudo bem...
Deixe que a manhã adentre a janela
E que a noite se esvaia pelos vãos das portas,
Porque são as sombras que cobrem a pelnitude
E invadem solenemente a solidão;
Mas não adianta só o verbo,
Fibra frágil e fria como lâmina,
Pois é com mãos que levantam muros
E soltam as marretas na muralha;
Sairemos com calos nos dedos
E olheiras roxas por baixo dos olhos
Com apoios de Minerva de ouro, ou não!
Pois são com brados e palmas que se fecha a batalha.
Pés limpam de sangue o chão
'Inda que não limpem a língua da falácia...
E agora, que dedos acendam as luzes
Para que ascendam nas veias da illuminura
Aquilo que chamamos de Universo.

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Poema feito devido a realidade posta à faculdade de letras da UFRJ e seu finalmente curso noturno, que pelo qual venho adentrando nas congregações e defendendo este plano. Hoje enquanto eu fazia o poema, assistia eu a uma reunião com o reitor atual. Que agora haja condições de se fazer o curso já aprovado. ;]

sábado, 9 de maio de 2009

Primeiro (projeto de) Soneto;

Soneto da Vigésima Segunda

"No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade"
(Ferreira Gullar)

De vinte e duas crianças, tu és a primeira
Dentre todas que não ousariam morrer
E então, profundou-se no céu de Janeiro
Com teus olhos incautos na aurora do Outono

E fitavas enquanto a chuva tecia
As feridas que a agulha causava ao papel,
Tormentas, trovão, nova Mesopotâmia
Que os deuses fizeram questão de esquecer;

És aquele que o corvo abençoou com sua pena
E que a tinta langue e ácida adentra o horizonte,
E assim, desferrolhando a alma dos mediocres.

Enquanto todos bebem o vinho das eras
Tu degustas a essência da fria eternidade
Adentrando então o primórdio de mim.

(UFRJ - 8/5/2009)

"Nunca me levem ao óbvio..."

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Drasticidade... Criatividade;

Despedida de 沖縄県


Não cales por mim

Com o silêncio dos mortos

O instante que embarco

Na embarcação negra e pesada,

'Que eu não amo mais o que estudo,

Apenas, o que faço...

E o que sei fazer é ser inconstante.

Ah, minha preguiça...

Tu não podes banhar as pétalas

Rosadas na primavera de 江戸!

Não mais, claro, pois parto;

E por favor, não chores por mim

Pois foi tua chuva noturna (雨夜)

Que me batizou e entre

as núvens negras e azuis me fez.

Todavia, eu choro agora,

Por ti 日本, não por mim!

Pois tu tornaste uma sombra

E no meu seio voltaste a falecer

Enquanto eu tapo meus olhos

E fujo de tua aurora...

O poente se tornou minha pátria;

Pois o 夢 voltou ao 光

E minhas chagas titubeiam ao おわり...

Eu agora, estou indo embora.

domingo, 5 de abril de 2009

Hamlet - "To be or not to be?" [Crítica Teatral]

Ficha Técnica:


HAMLET

De William Shakespeare

Tradução de Aderbal Freire-Filho com Barbara Harrington e Wagner Moura

Direção de Aderbal Freire-Filho

Com Wagner Moura, Tonico Pereira, Carla Ribas, Georgiana Góes, Mateus Solano, Candido Damm, Fábio Lago, Felipe Koury, Gillray Coutinho e Marcelo Flores

Cenário: Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque

Iluminação: Maneco Quinderé

Figurinos: Marcelo Pies

Trilha Sonora: Rodrigo Amarante

Produção Executiva: Nil Caniné
Direção de Produção:
Sérgio Martins
Realização: Sérgio Martins & Wagner Moura

Patrocínio: Bradesco PRIME.

Boa tarde,
Contudo, ontem fui assistir à uma peça no Teatro "Oi Casa Grande", primeira peça que assisto
em um teatro grande, e a primeira que chego a possuir críticas concretas.
Com um elenco composto por algumas "estrelas globais" entre outros bons atores ( Wagner Moura, Tonico Pereira, Carla Ribas, Georgiana Góes, Mateus Solano, Candido Damm, Fábio Lago, Felipe Koury, Gillray Coutinho e Marcelo Flores) e um cenário desnudado de caracteres,
mas possuinte de uma câmera e telão, houve uma representação "modernizada" do clássico
Shakespeariano.
A peça foi de uma pontualidade impecável, porém com uma atuação apressada, de muitas gesticulações e pouca melancolia,
parte que se torna essencial no personagem príncipe, cujo o ar humano e soturno lhe são mais característicos.
Começa-se com o pai morto de Hamlet, interpretado por praticamente todos os atores da peça levantando-se da armadura (que estava estirada no meio do palco antes de começar a encenação) e com suas varias vozes e jogos de luzes atormentando os guardas e o jovem príncipe.
A peça segue um pouco massante no primeiro ato, com muitos gestos desnecessários e adaptações, um ar
de demora contínua impregna as falas (que por sinal tiveram quase todas um belíssimo efeito de cuspe voador).
No tradicional "To be or not to be?" não houve Hamlet introspectivo e profundo, mas sim um personagem apresado,
de uma violência vazia típica dos ignorantes e algumas vezes dos loucos. Frases devoradas e uma essência perdida que trouxe em si a sutileza dos dias de hoje.
Estamos em tempos de perda da essência; Este, é o mal da modernidade.
O figurino que parecia ter saído de uma loja de grife moderninha, deu um ar atemporal (ou temporal em demasia) à obra.
Durante a peça ouvi uns comentários negativos do público, entretanto algumas atitudes tomadas em palco nas próprias falas se justificavam.
A câmera foi um jogo visual televisivo, que se tivesse sido bem apropriado nos momentos não teria sido a faca de dois gumes
que foi, pois se em certas horas mostrava uma perspectiva diferente e tornou-se indispensável para o final e para o afogamento de Ofélia,
(qual achei muito bom, diga-se de passagem) em outros causava uma distração na cena
e atrapalhava a estética do palco (como dito anteriormente, desnudado).
Senti falta de humanidade e serenidade na peça, em poucos momentos a melancolia e a sobriedade aparecem, entretanto,
a violência e os mais variados gestos e traços cômicos tiveram seu aspecto
positivo, dando à peça um ar de originalidade e talvez para alguns suave graça,
Ofélia depois do intervalo sucinto de dez minutos foi de maneira muito interessante interpretada, com canções populares, delírios, e um toque
suave e explicito de sensualismo (talvez eu até me atrevesse a usar erotismo). E seu irmão Laertes também foi representado bem,
não digo com maestria, porém, sóbrio em aspectos.
A luta de esgrima, durante o duelo entre Hamlet e Laertes foi bem encenada e interessante em aspectos técnicos. Golpes fugazes e bem direccionados, e a cena seguida da morte por envenenamento da mãe de Hamlet, simplesmente um belíssimo desfecho!
Não tenho comentários sobre a trilha sonora, composta por algo que eu penso ser um tipo de "New Folk" usado apenas em momentos de extrema necessidade auditiva.
Tirando estes fatos que me chamaram à atenção a peça em si foi boa, ou no mínimo, rasoavel. Interpretação bem feita,
sem demais falhas grandes, e mantidas na medida do possível, com um elenco sucinto, múltiplos personagens bem trabalhados.
Então em seus 180 minutos, a peça correu sem grandes alardes, dando exeção apenas a algumas atuações chamativas, e na medida do possivel uma prova da modernidade e contextualização.
Eu diria até interessante se não fosse a falta de humanidade numa obra tipicamente humana.

Saudações.