quinta-feira, 17 de junho de 2010

[Sem Título]

- Olá! Posso te ligar
.....(Para me lamentar) ?
Não, claro que não... -
....Você está ébrio;
...Sempre ébrio... De absinto,
de vento, de nada, de Sol(#)
....- Ébrio, estou sempre ébrio,
.......de mim, de sim, de não.
....Ébrio, ébrio, ébrio...

E a noite continua como um chiste.

sábado, 12 de junho de 2010

A Long Bay Dawn

There's a bay in the world,
There's a bay in my heart
Where the waves hit hard in the rocks of soul,
keeping distance from the wild highway
that forgets itself,
And remembering when the horizon is
for everything and where is that limit-line;
Because there's no only rock, no only sea, and no only sky...
There's these three together,
And looking down, without fear, we see where everything begun:
A dawn that farewell from us;

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Indagações Sociais

Dentro do pensamento parte destes escritos foram perdidos, mas isso não importa...
Palestras, aulas, carteiras, Professores... Transitam abaixo de mim, e ao meu lado. Não importa. Transitam, e isso lhes basta.
No primeiro andar o professor passa pelo corredor, de vermelho. E o que isso tem haver? As cores continuam as mesmas e se mesclam umas nas outras, enquanto eu, me apavoro. A solidão se instala em mim. Entretanto, não como tem se instalado ao longo destes anos. Estou sozinha e o que me amedronta não é o fato de não conhecer os outros, mas de que talvez alguém possa vir falar comigo.
Vou ao banheiro e recuo, ando pelo corredor de um lado para o outro, e num ímpeto de coragem tomo-me e entro. Olho cautelosamente para as paredes, há escritos na porta de madeira... Não são os costumeiros maldizeres que se apossam comum-mente em forma da grafite a tinta clara; São indagações sociais como a constatação deste poema. Revolta de quem se encontra inserido e revolto dentro de um turbilhão de olhares tortuosos, força que tenta esmagar e expelir aquilo que aos outros provoca temor, e por isso asco. Vírus estético provocador de desajuste ideo-visual; Quero lavar o rosto. Minhas faces estão coradas pela vergonha que se apossa de mim. Algo em mim se incomoda neste edifício. Perturbarei eles com a minha pequenez? Não... Pequena, não... Mas há algo em mim que os afasta e incomoda, como se os olhares transformassem-se em dardos em minha direção... Atrapalharei eu sua ordem usual com a minha poesia, ou ao menos, com o meu cheiro de noite enraizada? Talvez... Melhor, incomodarei eu a eles com a minha violência? Mas esta não é a questão. (Então, qual é?)
Estou com medo e por isso escrevo estas letras tortas, mas a consciência do medo o torna diferente... Estar apavorada, e isso não me basta, por que prossigo dentro desta academia.
O Professor passa por mim e não o cumprimento, ele também não faz questão e não me reconhece, deixamos por isso mesmo. Ao longo ele fala com um homem e eu os observo.
Observo tudo deste terceiro andar.

Relocam-se os corpos na sala de aula, e eu tremo e evito a vontade de fumar. Um corpo estranho nas entranhas do desconhecido, e esse sentimento que se apossa branco, sem saber, de minhas faces e fomes. Não posso correr e não quero. Fazem cotas da vida os idosos sabidos, e minha caligrafia se distorce em suas faces em fronte ao titubeio. Tenho calor e sede. Tenho água fria e café amargo, mas nenhuma vontade de beber. Pessoas comentam sobre avaliações e, perdem-se na plenitude do discurso...

......................................................... 12-5-2010

Condensação

Tudo é um. A fumaça do copo de café quente se condensa à fumaça da evaporação deste cigarro. E eu não consigo me concentrar. Pedir desculpas e licenças para entrar e sair das portas. Todas elas fechadas, e agora, mais que nunca é preciso ser forte. Invenções sobre o concreto das leis físicas. É preciso ser um engenheiro e um arquiteto. Na vida tem de se ter os olhos sériamente abertos e os ouvidos atentos. O silêncio pertence às almas elevadas, e tudo não passa de um efeito mental.
"Eu sinto muito, eu sinto tanto... Eu nada sinto..." É tudo um percurso imutável: Estudar, trabalhar, suportar a vida... Não posso ceder à dor do desespero, e é preciso transformar a Arte em um monumento. Corpo, voz, palavra, som, e ação. Criação máxima da dor-de-cabeça humana. E eu não passo de um colecionador de favores. Até os nomes que me dão são favores dos outros em me depositar uma identidade. Doação trágica e sem sentido àquele que faz de si Nada e absurdo.
Sátira e riso por sobre a fechadura, finge que se lê e finge-se que se aprende. Tudo não passa de desvelamento, ocultar-se e mostrar-se no instante necessário. Não passamos de animais com instintos perigosos. O perigo de querer saber, e achar que têm a consciência de que se sabe; sem consolo ou momento de maresia. Tranqüilidade que finge-se de céu. Apaziguamento inalcansável. "Só fingir..." E se excusar.
E o vestígios ficam acumuladas no fundo do copo, onde nada se tira e nada se põe, resto de sentimentos, fragmentos saturados dentro de um poço da infinitude. Corda de escape úmida e frágil. E ainda assim, essa necessidade de outro e de toque, sem deixar que se aproxime desta caverna cheia de ilusões e cautelas. Fragmentos desconexos de pensamentos dexorados. Neologismos de minha lógica poliglota de um corpo só. Multiplicidade enclausurada em Um.
E o som das risadas que parece chegar a ferir... A solidão da necessidade de silêncio sem quietude. Uma terra estrangeira para um eterno estranho. E as pessoas são todas assim: Sem igualdade ou familiaridade.
Escuridão de sala de cinema. Espera atenciosamente da tela uma saída, e essa vontade de vomitar que me toma e assalta. Por mais que eu pense o contrário, eu QUERO VIVER. Com ou sem mar...
Gosto de bota e solas de sapato, ressaca de vinho sem sabor. E então, eu me ausento e me anulo. Torno-me nota em pausa e desapego. Partitura rompida ao final...
Tudo é Um, e o Nada é (sempre) parte de Tudo. Desgregamento psicossomático de Ser.

.............................................. 14-5-2010

domingo, 6 de junho de 2010

Deixo-te

......."Deixo-te a Poesia. Deixo-te todas as estações, principalmente a primavera e o verão..." (Satyricon)

Deixo-te.
Sem mais esperanças nos pés ou nas mãos
Deixo-te...
Junto com o vento da madrugada
Junto com o cordão e a calma enlatada
Junto com as horas de tédio e tremor,
Deixo-te...
Desacompanhada, na noite fria,
Luz de claraboia mal iluminada,
Paralelepípedo, e estrada beira-mar,
Sem nada nos olhos secos de asfalto,
Se não, uma lua entreaberta, e sal;
Deixo-te, querida,
Ao som do chello e do teatro vazio,
Ao som dos passos e da juventude,
Ao som das tardes movimentadas e da solitude...
Deixo-te:
O som de uma balada Pós-Romântica.

(Ralph Wüf - Junho de 2010)